Passo à frente.

Cerrou os olhos e ainda não conseguia enxergar o que queria dizer.
Voltou para a sombra, prometendo, por mais uma vez, deixar pro outro dia, já que sabia sem saber que não conseguiria conseguir.
No final das contas, já tinha conseguido. Entrou na brincadeira boba do bobo da esquina, que tocava um triângulo pra dar sentido a vida, ou vintém aos bolsos.
Viajou na onda do motor que passava ao longe, apressado. E se repetiu.
Sem parar pra pensar, colocou uma vírgula lá.
Sem conceituar, sem consentir, sentiu o amor por ele bater. Era inevitável, já.
Deu um passo à frente e saiu da sombra, sem fechar os olhos, de braços abertos, rodopiou. Agora já enxergava o que queria ver: o alívio de um coração que conseguiu falar. Mesmo que sem se entender.

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