Vim aqui, me alistar.

O escuro é  necessário, para que possamos entender e agradecer a luz.

O caos é necessário, para que possamos pedir e respeitar a paz.

Mas o escuro assusta e o caos apavora. Choca, angustia, enoja até. Me pergunto até que ponto o ser humano vai desrespeitar o limite do outro, as preferências, escolhas, crenças.

Não é possível que seja tão difícil compreender que uma pessoa pensa diferente de você, apenas por não ser você!

Não quero acreditar que o egoísmo e o orgulho imperam ao ponto de acharem que a verdade tem dono, além dEle. E, obviamente, se a verdade é Ele, não cabe a nós enfiar goela abaixo em quem quer que seja.

Vidas estão sendo perdidas. O pessimismo paira sobre nossas cabeças. A descrença no ser humano é, a cada dia, maior e mais dolorida. Viver em sociedade tem sido angustiante. Conviver é um verbo que traz arrepios de temor.

É guerra? Quero ser Soldado da Paz. E vou lutar, sim. Mesmo em preces.

Não quero ser indiferente, passiva ou pessimista demais. Só gostaria de ser instrumento da Tua paz e vim aqui, me alistar.

Postado em Voz

Essa conta não bate.

imagem post

“Você gosta mais dele do que ele de você.”

Me diz #pelamordequalquercoisa quem foi que colocou essa regra pros relacionamentos? De que entre os casais deve haver um amor igual, e que se um amar mais que o outro a coisa está errada?

Vem cá, o amor é mensurável? É preciso mesmo fazer essa contagem? Isso vai te levar a algum lugar?

Merece de fato alguma consideração? Enfim… Amar mais ou menos muda alguma coisa?

Se mudar, querido.. Não é amor.

Ninguém parte do princípio de que em um relacionamento falamos de pessoas diferentes, espíritos diferentes, com culturas e criações diferentes, famílias diferentes, absolutamente tudo diferente. Com aspectos (veja que eu disse aspectos) semelhantes.

E é isso que leva ao crescimento, à evolução.

Me recuso a contabilizar o amor. Acho desnecessário. Impossível, até.

Pode parecer/ser loucura, mas me preocupo muito mais com o amor que eu dôo, do que aquele que eu recebo (até porque esse é só consequência do outro – e isso não quer dizer que deva ser nas mesmas proporções, se é que existem proporções para o amor).

Querer receber o mesmo amor que se dá é o mesmo que fazer caridade pensando em algo em troca.

Não tem que ser assim. Essa conta não bate. E nem tem que bater, pra fazer sentido.

 

 

“Também não brinco mais”

post blog

 

A verdade é que o brasileiro (a maioria deles) é um garoto mimado. Daqueles criados com vó, que não sabem brincar, não sabem perder. Que tomam o controle do vídeo game, quando o coleguinha tá conseguindo fazer mais golpes especiais, no Mortal Kombat. Que se senta, encostado na parede, abraçando os joelhos, de cabeça baixa, até que alguém venha passar a mão em sua cabeça. Daqueles que cruzam os braços e fazem bico. Daqueles chantagistas, do tipo: só vou fazer isso, se você me der aquilo.

Perdemos a copa. Ok. Também esperava o título, também queria ter podido gritar que fomos campeões outra vez. Mas não deu. E, nem por isso  tirei minha camiseta amarela, não deixei de ser brasileira. Detalhe: continuo amando o meu país.

Pra perder tem que ser maduro. E esses brasileiros estão muito longe disso.

De ontem pra hoje, menos de 24h após o 7×1 contra a Alemanha, ônibus já foram queimados, bandeiras e camisas já foram rebaixadas a pano de chão e as decorações das lojas já foram retiradas. Um típico: “também não brinco mais” com direito a bico. Xingam e vaiam os jogadores, crucificam a equipe técnica, as emissoras, o jogador machucado. Saem apontando os dedos, bradando “eu já sabia” aos quatro ventos.

Sempre acreditei que uma decepção nos faz crescer. Nos faz olhar pra trás e, talvez, dizer: poxa, como fomos tolos – não por acreditar, mas por reagir assim. Tenho certeza de que você, adulto, hoje olha pra sua infância e ri da criança emburrada que foi, porque a mamãe não deu o chocolate.

[suspiro aqui]

Não é só pela Copa. Pelo menos pra mim. Só que ao invés de me encostar na parede, abraçar meus joelhos e ficar cabisbaixa, vou me levantar e fazer minha parte, pra poder merecer um delicioso chocolate da mamãe.

Postado em Voz

Inferno Astral

Lágrimas, até que enfim. Demorou, mas elas rolaram sem nenhuma necessidade de se sentar pra assistir a um filme triste.
Apenas com o contato consigo mesma. Apenas colocando um pé pra dentro da sua própria caixa. Eram tantas respostas sem perguntas que iam passando na tela que a impressão que dava era a de que estava prestes a enlouquecer.
Um misto de emoções e certezas, descobertas de si. Foram tantas mudanças, tantos cortes, tantas palavras, tantos dias, quantos dias, que precisava urgentemente se reconhecer.
Dessa vez, não queria apertar o stop. Só queria deixar rolar e ver onde é que esse tal de inferno astral a iria levar.

Postado em Voz

Respeito é bom.

Pouca gente sabe, mas resolvi fazer a cirurgia bariatrica, comumente conhecida como redução de estômago. É sim uma mutilação. Cerca de 75% do meu estômago foi pro lixo hospitalar.
Não pretendo aqui fazer o dia a dia dessa experiência. Longe de mim colocar fotos de como era e como fiquei/ficarei.
Mas depois de passar pelo pré, durante e pós operatório (ainda em curso), tenho sim algo a compartilhar:

A gente não tem a mínima noção do quão sábio é o nosso corpo.
Se pudéssemos e nos propuséssemos a tirar um minuto sequer para olharmos pra dentro, aprenderíamos zilhões de coisas que nunca havíamos imaginado ser possível fazer.
Ele se contenta com bem pouco, só está muito mal acostumado.
Nas adversidades e momentos de caos, ele trabalha com a mesma calma de sempre, buscando paulatinamente um maneira de consertar e deixar tudo de uma maneira aceitável pra continuar vivo.
Ele sabe exatamente a hora de parar, portanto, respeite isso. Quando seu olho pesar, não diga: só mais 5 minutos.
De vez enquanto a gente faz umas estripulias, exagera daqui, mutila dali… E a resposta dele é sempre a mesma: ok, vamos tratar disso da melhor maneira possível. Não existe magoa, e, impressionamentemente, ele usa a primeira pessoa do plural, também pedindo a nossa contrapartida.

Portanto, cuide, perceba e sobretudo, respeite o seu corpo, como ele respeita as suas vontades.

Postado em Voz

Eles disseram que era Natal.

Eles disseram que era Natal e aquele outro continuava correndo, passando apressado sem nem reparar nas luzes que piscavam amor.

Eles disseram que era Natal e aquela outra estava preocupada, olhando o guarda-roupas quase desesperada, já que teria que se virar pra montar um look, porque não tinha tido tempo de comprar nada pra arrasar.

Eles disseram que era Natal e a tia não saiu do rabo do fogão, preocupada em agradar a família e os agregados com a nova receita de bacalhau e lombo.

Eles disseram que era Natal e a garotinha brilhou os olhos, dizendo ter que fazer a carta para o Papai Noel.

Eles disseram que era Natal, mas o rapaz foi mal educado com a moça do supermercado que tinha de fechar o caixa, porque também tinha compromisso mais tarde.

Eles disseram que era Natal, mas a moça ficou chateada porque já não tinha mais horário no salão pra se arrumar pra grande noite, na sala.

Eles disseram que era Natal e um buraco fundo de fome na entranha daquele homem doeu mais uma vez.

Eles disseram que era Natal e a mãe soltou um grito desesperado de dor de amor, porque a filha havia morrido em seus braços, vítima da negligência nos hospitais daqueles que mais precisam.

Eles disseram que era Natal e eu já não acreditava mais.

Postado em Voz

Pra vencer

De um jeito ou de outro eu precisava voltar a escrever.
Sem essa de se desculpar pelo tempo ausente, pelo abraço presente, mesmo de longe. Um longe que já voltou.
Passou. Consegui. Passei, aqui. Presente, sorridente, imprudente, delinquente. Ou apenas diferente. Fica a cargo de mim mesma. Da minha percepção a respeito de tudo e todos que me rodeiam, que me cercam, que me amam. Aos que me odeiam, a gente conversa mais tarde, numa mesa redonda. Fica marcado assim.

No mais, estou bem, realizada. Pronta pra nova vida que me espera.
Mais claro que isso, impossível ser.

To voltando. To chegando pra chegar. Pra vencer.

Postado em Voz

Que assim seja.

 

img post segunda

Eu me segurei ao máximo pra não dar minha opinião aqui sobre essa onda Feliciana, até porque eu não sabia direito o que realmente eu queria falar e de que forma eu o faria.

Tinha escrito quase um romance pra falar do que eu acho da postura da população e do próprio deputado, em relação aos presentes fatos. Daí fui reler o trecho abaixo e apaguei tudo.

“Devemos encarar com tolerância toda loucura, fracasso e vício dos outros, sabendo que encaramos as nossas próprias loucuras, fracassos e vícios. Pois eles são os fracassos da humanidade à qual pertencemos e, assim, temos os mesmos fracassos em nós. Não devemos nos indignar com os outros por essas fraquezas apenas por não aparecerem em nós, naquele momento.” Arthur Schopenhauer

Mas a preocupação é inerente pra quem quer um mundo melhor. Eu me preocupo, realmente, em onde isso tudo pode chegar. Fico me perguntando o que mais a sociedade deve fazer pra que suas palavras, atos, súplicas e reivindicações valham mais do que brinquedo no varal.

O mundo ta cheio de opiniões e particularidades. Não acredito que devamos nos calar. Precisamos sim conversar mais e mais sobre o assunto, sobre como proceder, de forma humana e não animalesca. Precisamos nos amar mais, escutar mais, tolerar mais, exemplificar mais e, sobretudo, respeitar mais. E que assim seja.

Postado em Voz

Corre, negada!

imagem post quinta 2

Foi dada a largada. Não olhe pra trás. Você pode ser descartado a qualquer momento.

E isso tudo nem é tanta viagem. Levaram o “tudo se transforma” muito ao pé da letra.

Estamos em uma era descartável. Celulares não duram mais do que 2 anos – você o troca porque estragou ou porque acha que ele tá ultrapassado demais. Que dirá dos computadores.  E, há ainda, um novo artigo nas prateleiras dos descartáveis: as pessoas.

Uma sequência inumerável de enlaces e desenlaces. Hoje em dia é fácil deletar alguém da vida. Descartar alguém dos sonhos. Basta um pisão no pé, na hora do forró. Basta que seja um forró ao invés de um tango. Basta uma olhadela pro lado e pronto “foi bom enquanto durou.”

Sejamos mais óbvios. Mais sustentáveis, menos objetos, mais inteligentes. A reciclagem também é uma palavra da era. E a corrida tem que ser outra, pra outro lado.

Postado em Voz